Surpresas e Decepções do Brasileirão

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Aproveitando o período de férias do futebol brasileiro, trago para você uma nova forma de se avaliar o desempenho dos times no Brasileirão 2016. A ideia do modelo é poder entender de fato quais os times que produziram além do esperado e quais aqueles que ficaram devendo rendimento. Praticamente todos os especialistas de futebol concordam que é necessário ter um bom grupo de jogadores para se disputar o título brasileiro, por conta disso vamos comparar a qualidade dos elencos com seu desempenho no campeonato.

Pressupostos:

Elencos mais caros possuem atletas melhores e, portanto, melhores condições de brigarem pelo título brasileiro. O valor médio de um jogador do time (calculado dividindo o valor total do time pelo número de jogadores) é um bom indicativo da qualidade do elenco

Metodologia:

Primeiro, coletei os dados de valor de mercado dos jogadores de cada time no site transfermarkt.com. Grande parte dos valores são de maio 2016, quando o Brasileirão estava apenas começando, ou seja, o desempenho dos atletas ao longo do campeonato não afetou os dados. Depois calculei o valor médio dos jogadores para cada time e ordenei os clubes a partir desses valores, abaixo está como ficou esse ranking de elencos:

Por último comparei o ranking de elencos com a classificação final de cada time calculando a diferença de posição. Uma diferença negativa significa que o elenco desempenhou abaixo do esperado, e uma diferença positiva significa que o time surpreendeu.

Resultados: 

AVISO: Se você tem medo de alguns termos estatísticos pule o próximo parágrafo, prometo que são simples de entender.

Primeiro podemos ver que existe uma correlação moderada entre as posições finais do time e o ranking de elenco (a correlação é de 0.598 para ser preciso). Isso significa que em geral times com valores médios altos tendem a terminar mais perto do topo da tabela enquanto clubes com jogadores menos valiosos tendem a se aproximar da zona de rebaixamento. Além disso vemos que a diferença média é de 4 posições, ou seja, existe um boa chance que seu time termine o ano 4 posições acima ou abaixo daquilo previsto pelo ranking de elencos. Em resumo, o modelo tem dificuldade em prever exatamente a posição final do time, mas ele geralmente acerta a “região da tabela” onde o time terminará.

Feita essa análise inicial, separei os 4 times com as maiores diferenças positivas (Botafogo, Santos, Atlético-PR e Ponte Preta) e os 4 com maiores diferenças negativas (Internacional, Cruzeiro, São Paulo e Fluminense). Esses são os clubes que o modelo mais errou na previsão, pode-se dizer que esses times tiveram um rendimento muito diferente daquilo que era esperado para seus elencos.

Agora que a análise quantitava já nos deixou claro as principais surpresas e decepções desse campeonato podemos olhar qualitativamente para os motivos por trás desses desempenhos. Ao analisar o ano dos clubes fica claro que o conhecimento das peças do elenco é essencial para se obter um bom desempenho.

É interessante notar que o único time que trocou de treinador e se encaixa no grupo das “surpresas” é o Botafogo, onde Jair Ventura assumiu no lugar de Ricardo Gomes. Mesmo assim, Jair Ventura era auxiliar do Botafogo e já lidava com os atletas que comandou há algum tempo.  Já Santos, Atlético-PR e Ponte Preta confiaram em seus treinadores (Dorival Júnior, Paulo Autuori e Eduardo Baptista respectivamente) e os mantiveram ao longo de todo o campeonato, uma decisão que trouxe resultados muito positivos. Por outro lado, todos os times no grupo das “decepções” trocaram pelo menos uma vez de técnicos, destaque especial para o Internacional que ao longo das 38 rodadas teve 4 diferentes treinadores. Mesmo que um elenco seja extremamente qualificado, é difícil fazê-lo render sem o devido tempo para trabalhar e conhecer as características dos atletas.

Observações:

  1. Outro motivo que pode explicar os resultados acima é a dificuldade de se valorizar alguns atletas antes do início do campeonato. Por exemplo, Vitor Bueno (um dos principais jogadores do Santos e revelação do campeonato) tinha como valor de mercado 1 Milhão de Euros, enquanto outros jogadores um pouco mais conhecidos como Eduardo Sasha tinham um valor de 2.5 Milhões de Euros. Traduzir o desempenho dos atletas em valor de mercado tem seus problemas e dificuldades, mas não deixa de ser uma ferramenta interessante.
  2. Se você pretende reproduzir esse modelo para calcular a diferença média é necessário usar os valores absolutos, caso contrário valores negativos provavelmente vão interferir bastante no resultado